Mostrando postagens com marcador Pensamentos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pensamentos. Mostrar todas as postagens

Quero ser aquilo para que fui criado...


A cura cósmica

Trigueirinho

A cura cósmica é a recondução do ser humano à sua origem interna, é a consciente unificação da vontade pessoal com a vontade superior do próprio indivíduo.

Realiza-se pela sin­tonia com a realidade espiritual e se inicia quando temos von­tade de saber qual é a verdadeira meta da vida.

Esse processo de cura intensifica-se só quando nos entregamos aos níveis superiores do nosso ser — o que podemos fazer de maneira simples, dirigindo-nos a esses níveis internos da consciência, porém, com toda a sinceridade:

Quero ser aquilo para que fui criado. Farei o que for preciso para isso.

Ao nos entregarmos assim à von­tade interna do eu superior, podemos desempenhar o papel que nos cabe no universo em que vivemos e entrar em harmonia. E, à medida que essa harmonia chega ao plano físico, as doenças podem ser eliminadas, pois elas surgem justamente quando há desvios no caminho traçado para nós.

Se estivermos preocupados só com a remoção de algum incômodo físico, emocional ou mental, ficamos limitados aos problemas da personalidade e, assim, impedimos que ocorra uma cura verdadeira, não-paliativa.

Devemos nos aproximar da cura cósmica com humildade, em um estado interno de silêncio, de imparcialidade diante do que desconhecemos.

Devemos aprender a calar e observar.

Calar significa não criar expectativas. Se já nos oferecemos, nosso eu superior nos escutou.

Na verdade, sabia das nossas necessidades antes de a ele nos dirigirmos. Observar é estarmos atentos para perceber o que o eu superior quer de nós, o que devemos mudar.

Se há enfermidade, é porque não estamos praticando aquilo para que fomos criados.

Nenhum curador pode resolver nosso problema se não nos transformamos. Na verdade, para a cura se tornar efetiva, a forma de agir da medicina comum deve complementar-se com procedimentos que considerem o ser como um todo e o levem a se harmonizar com realidades profundas.

O curador espiritual transcende os aspectos materiais do paciente. Para isso interage com leis internas.

O trabalho do curador começa no seu próprio ser: ele tem de sanar suas desarmonias antes de se tornar veículo de cura para os demais. Somente quando começa a se unir à vontade superior dentro de si mesmo é que passa a transmitir a energia de cura a que nos estamos referindo.

Há médicos e terapeutas que se tornam curadores. Há, também, curadores que deixam de sê-lo por usarem a energia de cura com propósitos egoís­tas, por explorarem comer­cial­mente o seu trabalho.

Enquanto a medicina e a terapia normais são legalmente exercidas mediante pagamento, a cura cósmica é in­compatível com qualquer tipo de retri­buição.

Dar de graça o que de graça se recebe é uma lei expressa por Jesus, um curador, e essa lei continua a reger o serviço de todos os curadores autênticos.

Praticamente não há, na superfície da Terra, quem não precise de cura. Por isso, há na Terra centros suprafísicos dedicados à cura cósmica, alguns dos quais foram revelados.

Esse é o caso de Aurora, civilização não-física que está na área intraterrena do Uruguai e cuja irradiação chega à superfície.

Não há limitações para a cura cósmica: ela se dá além das dimensões materiais.

Assim, se tivermos a intenção de realizar a vontade do nosso eu superior, estabelecemos con­tato telepático com centros como Aurora, não importa que estejamos em outras dimensões da consciência.

Se estivermos com essa atitude correta, a energia de cura pode tornar-se realidade para nós.

Entre os recursos de que dispomos para entrar em contato com esse nível de cura, os mais poderosos e próximos de nós são a fé e a devoção ao que é o mais elevado que possamos conceber.

Sabedoria e compaixão por todos no caminho...


A Verdadeira Cura

Lama Zopa Rinpoche

O propósito de minha vida não é somente resolver os meus próprios problemas mas sim libertar cada pessoa que busca a felicidade e a separação do sofrimento. Este é o meu propósito para respirar, estar vivo, a cada hora, a cada minuto, a cada segundo. Tal propósito é tão vasto quanto o céu.

Eu devo libertar aqueles que estão obscurecidos e afastados da experiência da mais alta paz mental, o estado perfeito da paz, a plena Iluminação. Para conseguir trazer cada ser a esta felicidade inigualável, eu preciso desenvolver as qualidades de sabedoria e compaixão por todos e gerar as qualidades internas necessárias para progredir no caminho. Em outras palavras, todo o propósito de minha vida é curar corpo e mente de todos os seres de todos os seus problemas juntamente com as suas causas e levar estes seres ao estado da suprema felicidade duradoura. A definição do estado saudável supremo é o estado de ter um corpo perfeito e a mente liberta de todos os perigos.

O motivo para curar a mente desenvolvendo a sabedoria interna, o método e a compaixão, é para ser capaz de prestar serviços aos outros. Para este propósito eu necessito ter uma vida longa e um corpo saudável. É para beneficiar os outros que estou participando deste curso sobre cura.

A melhor maneira de encontrar a verdadeira felicidade na vida, de alcançar a mais profunda paz de espírito e a melhor satisfação e alegria mental é dedicar a própria vida aos outros seres sencientes. Se tornarmos toda a nossa vida benéfica para os outros, então não importa se temos ou não problemas pessoais, já que a nossa meta e dar sentido às vidas dos outros.

Mesmo se tivermos doenças, problemas de relacionamentos e coisas assim, podemos usá-los como um caminho para conseguir a felicidade para nós e para os outros. Esta é a maneira de usar os problemas para curar corpo e mente. Mas dos dois, o mais importante é curar a mente. Embora a medicina possa curar as doenças físicas, elas podem voltar. Enquanto a mente não estiver curada, o perigo da doença continua. A mente prossegue criando os mesmos atos capazes de nos tornar fisicamente doentes.

Essa é a mente que produz problemas como doenças. É também uma causa mental interna que cria as condições externas que trazem os problemas. Por outro lado, se não houver uma causa mental interna, então mesmo se existirem fenômenos externos com a capacidade de fazer mal, eles não podem funcionar como condições ameaçadoras.

Por exemplo, uma doença epidêmica pode estourar em um determinado local. Contudo, embora a maioria das pessoas adoeça, tenha gripe ou coisas assim, sempre há algumas pessoas que não. Essa é uma experiência comum. Dizem que expor-se ao sol causa câncer de pele. Mas, se a exposição ao sol fosse a principal causa, então TODOS os que deitassem ao sol seriam vítimas de câncer de pele. O fato que só algumas pessoas desenvolvem o câncer prova que a luz solar em si não pode ser a PRINCIPAL causa.

Portanto, a principal causa não se encontra externamente, mas sim dentro da própria mente. A causa interna é um modo particular de pensar, com pensamentos perturbadores. O seu oposto é uma mente salutar, com um modo diferente e não perturbador de pensar. Assim como tomamos remédios externos para curar a doença física, devemos purificar mentalmente a causa interna do problema.

Aqui estamos apenas pronunciando palavras, bla, bla, bla – mas a verdadeira cura, que realmente vem de sua própria mente é sabedoria e compaixão.

A motivação para fazer este curso de cura é beneficiar a todos.

Extraído do Curso de Cura, realizado na Austrália e publicado no Informativo do Tara Institute, em outubro de 1991. Traduzido para o português pela Equipe de Tradutores da FPMT Brasil, em maio de 2002. Email: fpmt.brasil@gmail.com Fonte: Shiwalha

Você acha que um homem pode mudar seu destino?


_”Você acha que um homem pode mudar seu destino?
_Eu acho que um homem faz o que pode... até que seu destino lhe seja revelado."

_”You believe a man can change his destiny?
_I think a man does what he can… until his destiny is revealed to him.

Dirigido por/Directed by Edward Zwick



Credo do Samurai

Autor desconhecido
Século XIV

Eu não tenho pais,
faço do céu e da terra meus país.

Eu não tenho casa,
faço do mundo minha casa.

Eu não tenho poder divino,
faço da honestidade meu poder divino.

Eu não tenho pretensões,
faço da minha disciplina minha pretensão.

Eu não tenho poderes mágicos,
faço da personalidade meus poderes mágicos.

Eu não tenho vida ou morte,
faço das duas uma, tenho vida e morte.

Eu não tenho visão,
faço da luz do trovão a minha visão.

Eu não tenho audição,
faço da sensibilidade meus ouvidos.

Eu não tenho língua,
faço da prontidão minha língua.

Eu não tenho leis,
faço da auto-defesa minha lei.

Eu não tenho estratégia,
faço do direito de matar e do direito de salvar vidas minha estratégia.

Eu não tenho projetos,
faço do apego às oportunidades meus projetos.

Eu não tenho princípios,
faço da adaptação a todas as circunstâncias meu princípio.

Eu não tenho táticas,
faço da escassez e da abundância minha tática.

Eu não tenho talentos,
faço da minha imaginação meus talentos.

Eu não tenho amigos,
faço da minha mente minha única amiga.

Eu não tenho inimigos,
aço do descuido meu inimigo.

Eu não tenho armadura,
faço da benevolência minha armadura.

Eu não tenho castelo,
faço do caráter meu castelo.

Eu não tenho espada,
faço da perseverança minha espada.

A warrior's creed
Anonymous samurai song
14th century

I have no parents:
I make the heaven and earth my parents.

I have no home:
I make awareness my home.

I have no life and death:
I make the tides of breathing my life and death.

I have no divine powers:
I make honesty my divine power.

I have no means:
I make understanding my means.

I have no secrets:
I make character my secret.

I have no body:
I make endurance my body.

I have no eyes:
I make the flash of lightening my eyes.

I have no ears:
I make sensibility my ears.

I have no limbs:
I make promptness my limbs.

I have no strategy:
I make "unshadowed by thought" my strategy.

I have no design:
I make "seizing opportunity by the forelock" my design.

I have no miracles:
I make right action my miracle.

I have no principles:
I make adaptability to all circumstances my principle.

I have no tactics:
I make emptiness and fullness my tactics.

I have no talent:
I make ready wit my talent.

I have no friends:
I make my mind my friend.

I have no enemy:
I make carelessness my enemy.

I have no armor:
I make benevolence and righteousness my armor.

I have no castle:
I make immovable mind my castle.

I have no sword:
I make absence of self my sword.

Condução...


Em um dia desses, em que saímos de casa de mal com a vida, e mal com todos que estão ao nosso redor, tudo pode acontecer. Sabe quando estamos somente esperando uma oportunidade, como se diz no ditado popular – de soltar os cachorros em alguém mesmo sem ter motivos? Somente os nossos motivos?

Eu estava em um ônibus na cidade onde moro.
Dentro deste ônibus havia todo tipo de pessoas, alegres, tristes, mal intencionadas, viciados, pessoas tentando se matar e pessoas doentes.
Eu acredito que se pudéssemos reunir e materializar nossos pensamentos, naquele ônibus, o inferno seria um lugar bonito.

Eu observava cada uma das pessoas como sempre faço. Gosto de observar pessoas.
E no percurso que eu fazia ouvi muitas coisas.
À minha frente duas mulheres conversavam de suas vidas, e também das de outras pessoas. Falavam coisas como “eu queria sumir”, “eu queria morrer” e a outra também concordava e falava a mesma coisa. Revoltadas com o casamento triste, com os filhos, e frustradas com a sua situação financeira.

Ao meu lado um rapaz tentava se esconder, ou esconder o que ele tinha nas mãos: um tipo de droga, uma droga qualquer, um tipo de sintético.
Fiz de conta que não vi, mas percebia que ele estava morrendo, pois seu rosto passava isso. Observava que, ao mesmo tempo, queria viver, porque pedia isso através do seu olhar.

No banco ao lado, uma menina chorava com seu filho ao colo.
Parecia um filho indesejado como muitos que eu já ouvira algumas mães dizer.
E, ela falava, sozinha, coisas como “o que eu vou fazer com você”.
E, a criança chorava muito.

Eu percebia que estava em um verdadeiro inferno. E, na verdade, eu estava.

Desprotegido, a minha mente também estava atribulada naquele momento.
Eu reclamava comigo mesmo:

_Poxa, que droga um ônibus lotado, pessoas se odiando aqui dentro e lá fora está chovendo ainda para piorar as coisas!

E, naquele momento, quem queria morrer era eu.
Dívidas, família desunida, vícios, e uma vida sentimental incompleta. Na verdade, eu estava na condução dos condenados, dos suicidas, porque todos queriam morrer.

De repente, um rapaz entra em desespero dentro do ônibus.
Acho que aquele ar negativo o incomodava. Ele começou a se debater e a gritar.
E, uma mulher o acalmava. Na verdade eram duas, porque uma que não era sua mãe o acariciava e, a outra, o criticava, o xingava coisas como “você só me faz passar vergonha” e, “o que eu fiz para merecer isso?”

De repente, o ônibus ficou em silêncio.

Este rapaz estava com um uniforme, um desses de escolas especiais que dizia ser de um lugar para crianças com câncer.
Eu, na mesma hora, senti vontade de chorar e as pessoas me observavam.

Eu me levantei e fui até a moca que o acariciava. O rapaz devia ter a minha idade.
Sua mãe me falou:

_ Você não precisa ter pena dele, que ele é normal.
E eu respondi: _Concordo com a senhora.
E pensava comigo mesmo que, quem não era normal era eu mesmo.

Então, perguntei pra a moça se ela queria ajuda. Ela respondeu que não, e que ele estava bem. E continuou:
 _ Apenas está chovendo muito e ele quer abrir a janela. Eu não posso deixar, porque a imunidade dele está baixa.

E o rapaz perguntou, me estendendo a mão:
_Qual o seu nome?
Eu disse a ele meu nome, e o ônibus inteiro ficou mudo.
Apenas algumas pessoas sussurravam: _Que dó desse menino...

Pareceu que, nessa hora, todas as pessoas que estavam naquela condução dos condenados comigo passaram a ter sentimentos.

E o rapaz disse:

_Como você é?
Eu lhe respondi dizendo medidas, cor, peso, idade e do que eu gostava.

Então, ele acrescentou: _ Parabéns, você é um homem perfeito!
Eu sorri dizendo obrigado, agradecendo, mas chorando internamente porque eu não era perfeito, e não passava de uma mentira exterior. Mas lhe afirmei:

 _ Você também é perfeito.

Ele me aconselhou:

_Aproveite e agradeça o que Deus te deu, a saúde.

Perguntei, então: _Por que você me fala isso?
Então, ele começou a chorar e a sua professora também. Sua mãe só balançava a cabeça. Então, ele disse, com sua voz baixa e cheia de lágrimas:

_Abra a janela do ônibus, por favor...

E o ônibus me olhava. Eu estava com medo e vergonha porque não seria a pessoa certa para fazer aquilo. Ele era tão bom e eu tão ao contrário dele, querendo até mesmo pedir a morte pelo dia ruim, ainda reclamando da chuva que eu maldizia.

E ele insistia, tristemente: _Abre...
Então, perguntei o por quê. E ele respondeu:

_Tenho meus dias de vida contados, eu queria tanto viver mais, queria tanto poder ver o que vocês veem, queria tanto sentir o que vocês conseguem sentir...

Ele chorou e pediu “por favor”, à sua mãe e à dona Rose, que era sua professora.

_Já que eu não posso ver, me deixe pelo menos sentir a chuva lá fora tocar meu rosto. O que eu mais queria era poder ver a chuva cair, sentir a chuva em mim, e poder ver meu corpo molhado pelas lágrimas de Deus, banhando o corpo de seu filho que ama a vida, e lhe agradece por ela.

E a janela do ônibus foi aberta.
Creio que as de nossos corações, naquela hora mudos, também.

Eu chorei, como chorei..
Só então eu percebi que quem era cego e doente, era eu mesmo...
Eu que não percebia a importância que tinha minha vida tão criticada por mim mesmo, tendo saúde, pessoas que amo, e que estão a meu lado e me amam também.
Eu que tinha tudo para seguir enfrentando a vida, passei a me ver diferente...
Neste exato momento eu sorri.
Coloquei a minha cabeça junto a dele para fora da janela.
A chuva lavava nosso rosto, curando a minha cegueira e tristeza dele.

E, desde aquele dia, eu nunca mais peguei uma condução para o inferno.
Continuo andando de ônibus mas, agora, me levam sempre a novas descobertas.

Hoje, agradeço a Deus todos os dias por tudo o que Ele me dá, e até nas coisas ruins eu dou risada, porque nada mais pode me abalar.
Eu aprendi que posso sentir esta força dentro de mim do mesmo jeito que aquele rapaz queria sentir a chuva.

Obrigado por Deus ter me dado a oportunidade de conhecer aquele rapaz.

E você? Até quando viajará neste ônibus a caminho do inferno com as suas reclamações? Acorde, desperte, faça este pesadelo se tornar um sonho, porque além de sentir, você vai poder ver o seu sonho acontecer.


Um abraço do Macaco4ever...


O Macaco disse: seja original e escreva o seu próprio texto, mas se copiar, cite a fonte:
http://bubakatana.blogspot.com/2010/08/conducao.html

Reproduzido da primeira postagem Condução em 28/08/2010

Eu tenho lutado para ser livre...


Liberdade e vida

A liberdade é o aspecto mais importante da vida. Através dela pode-se expressar o que se é para uma vida plena e feliz a cada segundo em que se vive. A alegria e felicidade só podem vir da verdadeira liberdade da expressão do ser. E nesta expressão a realização do papel e missão natural à qual fomos destinados pela natureza.

Eu chorei, mas não desejo que os demais chorem; mas se o fizerem, agora sei o que isso significa. (…) É preciso que se libertem, não por minha causa, mas apesar de mim. Toda esta vida e, especialmente nos últimos meses, tenho lutado para ser livre – livre de meus amigos, dos meus livros, de minhas associações.

Vocês devem lutar pela mesma liberdade. Deve haver uma constante inquietação interior. Segurem um espelho constantemente à sua frente. Se houver algo indigno do ideal que criaram para si mesmos, mudem-no. Não façam de mim uma autoridade. Se eu me tornar uma necessidade para vocês, o que farão quando eu partir?

Alguns de vocês acreditam que eu possa lhes dar uma bebida que os tornará livres, que posso lhes dar uma fórmula que os libertará – mas não é assim. Eu posso ser a porta, mas vocês devem passar por ela e encontrar a libertação que está além dela… A verdade chega como um ladrão – quando menos se espera por ela.

Gostaria de poder inventar uma nova língua; como não posso, gostaria de destruir a velha fraseologia e antigos conceitos. Ninguém pode lhes dar a libertação. Terão de encontrá-la dentro de si, mas porque eu a encontrei, eu lhes mostrarei o caminho… Aquele que atingiu a libertação tornou-se um instrutor.

Cada um de vocês têm o poder de entrar na chama, de se tornarem a própria chama… Porque eu estou aqui, se me tiverem em seus corações, eu lhes darei a força para alcançá-la. A libertação não se destina aos poucos, aos escolhidos, aos eleitos.

Jiddu Krishnamurti
(1895/1986)

Reproduzido de O Agora

Andarilho sobre a Terra...


O andarilho

Nietzsche

"Quem chegou, ainda que apenas em certa medida, à liberdade da razão, não pode sentir-se sobre a Terra senão como andarilho - embora não como viajante em direção a um alvo único: pois este não há.

Mas bem que ele quer ver e ter os olhos abertos para tudo o que propriamente se passa no mundo; por isso não pode prender seu coração com demasiada firmeza a nada de singular; tem de haver nele próprio algo de errante, que encontra sua alegria na mudança e na transitoriedade.

Sem dúvida sobrevêm a um tal homem noites más, em que ele está cansado e encontra fechada a porta da cidade que deveria oferecer-lhe pousada; talvez, além disso, como no Oriente, o deserto chegue até a porta, os animais de presa uivem ora mais longe, ora mais perto, um vento mais forte se levante, ladrões lhe levem embora seus animais de tiro.

E então que cai para ele a noite pavorosa, como um segundo deserto sobre o deserto, e seu coração se cansa da andança. Se então surge para ele o sol da manhã, incandescente como uma divindade da ira, se a cidade se abre, ele vê nos rostos dos quais aqui moram, talvez ainda mais deserto, sujeira, engano, insegurança, do que fora das portas - e o dia é quase pior que a noite.

Bem pode ser que isso aconteça às vezes ao andarilho; mas então vem, como recompensa, as deliciosas manhãs de outras regiões e dias, em que já no alvorecer da luz ele vê, na névoa da montanha, os enxames de musas passarem dançando perto de si, em que mais tarde, quando ele, tranquilo, no equilíbrio da alma de antes do meio-dia, passeia entre as árvores, lhe são atiradas de suas frondes e dos recessos das folhagens, somente coisas boas e claras, os presentes de todos aqueles espíritos livres, que na montanha, floresta e solidão estão em casa e que, iguais a ele, em sua maneira ora gaiata, ora meditativa, são andarilhos e filósofos.

Nascidos dos segredos da manhã, meditam sobre como pode o dia, entre a décima e a décima-segunda badalada, ter um rosto tão puro, translúcido, transfiguradamente sereno: - buscam a filosofia de antes do meio-dia."

The wanderer


Nietzsche


"He who has come only in part to a freedom of reason cannot feel on earth otherwise than as a wanderer-though not as a traveler towards a final goal, for this does not exist.

But he does want to observe, and keep his eyes open for everything that actually occurs in the world; therefore he must not attach his heart too firmly to any individual thing; there must be something wandering within him, which takes its joy in change and transitoriness.

To be sure, such a man will have bad nights, when he is tired and finds closed the gates to the city that should offer him rest; perhaps in addition, as in the Orient, the desert reaches up to the gate; predatory animals howl now near, now far; a strong wind stirs; robbers lead off his pack-animals. Then for him the frightful night sinks over the desert like a second desert, and his heart becomes tired of wandering. If the morning sun then rises, glowing like a divinity of wrath, and the city opens up, he sees in the faces of its inhabitants perhaps more of desert, dirt, deception, uncertainty, than outside the gates-and the day is almost worse than the night.

So it may happen sometimes to the wanderer; but then, as recompense, come the ecstatic mornings of other regions and days. Then nearby in the dawning light he already sees the bands of muses dancing past him in the mist of the mountains. Afterwards, he strolls quietly in the equilibrium of his forenoon soul, under trees from whose tops and leafy corners only good and bright things are thrown down to him, the gifts of all those free spirits who are at home in mountain, wood, and solitude, and who are, like him, in their sometimes merry, sometimes contemplative way, wanderers and philosophers.

Born out of the mysteries of the dawn, they ponder how the day can have such a pure, transparent, transfigured and cheerful face between the hours of ten and twelve-they seek the philosophy of the forenoon."

Fonte - Capítulo VIII - inciso 638 - Humano, Demasiado Humano . Human, All Too Human . Um livro para Espíritos livres

Lá, em cada passo dado, o agora mesmo...


"A vida é como essa montanha alta a ser escalada. No decorrer da subida sempre encontraremos, aqui e ali, um lugarzinho mais confortável para descansar, uma flor rara para admirar, uma água fresca e corrente que sacie nossa sede. Mas há também pedras que se soltam, trilhas que nos confundem, escaladas que nos cansam a ponto de termos vontade de desistir".

Perceba como muitas vezes as pessoas brigam com a vida, num misto de inconformismo e revolta. Outras vezes, as pessoas se entregam e jogam-se ao chão como se a vida os tivesse derrubado devido a um capricho infantil ou por falta de ter algo melhor para fazer.

É difícil encontrar alguém que se proponha a seguir de mãos dadas com a vida. Em geral, queremos resolver "logo", decidir "logo", conquistar "logo", chegar "logo"... e assim corremos o risco de perder o melhor da vida, a própria viagem. Porque se você ainda não sabe, é a viagem que importa, e não aquele momentinho único, mesmo que iluminado, de "chegar lá".

Imagine a subida de uma montanha íngreme. Você já deve ter feito isso. Mochila nas costas, garrafinha de água na mão, filtro solar, tênis especiais (isso se você for desses que se preparam). Bem, começamos a subida. No começo tudo parece lindo, mas após um certo tempo de pedras e obstáculos, após aqueles 80 degraus escorregadios e mal escavados na terra, começamos a nos perguntar o que estamos fazendo lá afinal?!!

Cada passo exige muito de nossa atenção, e mais ainda de nosso coração.

Mas é "lá", naquele aparente sofrimento, que tudo está acontecendo.

É lá, em cada passo dado, que estamos descobrindo nossa força, treinando nossos sentidos, despertando nossa atenção mais profunda. É lá que está a vida possível de ser vivida, a vida real.

Não que não seja bom o momento de conquista de um objetivo. Se você já viveu isso, sabe a sensação maravilhosa que acontece quando você finalmente chega lá, no alto da montanha. Quando se aproxima da beira do penhasco e vê as nuvens brancas e fofinhas passeando bem abaixo de você. Mas - pense bem antes de responder - você acha que sentiria isso se não tivesse passado por cada minuto de desafio naquela trilha? Você acha que a sensação de um atleta que escala uma montanha é a mesma sensação que teria alguém que fosse levado até o topo em um helicóptero rápido, seco, quentinho e confortável?

Eu duvido! A sensação boa de paz e conquista só pode existir quando se está presente em cada etapa da caminhada.

A vida é como essa montanha alta a ser escalada. No decorrer da subida sempre encontraremos, aqui e ali, um lugarzinho mais confortável para descansar, uma flor rara para admirar, uma água fresca e corrente que sacie nossa sede. Mas há também pedras que se soltam, trilhas que nos confundem, escaladas que nos cansam a ponto de termos vontade de desistir.

Se a sua vida estiver desafiando você ultimamente, não caia na armadilha de sentir-se perseguido por uma força estranha que não tinha nada melhor a fazer a não ser infernizar você. Procure perceber que os momentos onde mais somos desafiados são os momentos nos quais podemos descobrir e nos apropriar de nossa própria força. E isso ninguém, nunca, poderá tirar de você.

Talvez essa seja a razão pela qual tantos atletas guardam em lugares especiais as suas medalhas. Cada medalha é a lembrança de um momento de conquista, crescimento e superação.

Se você já passou por momentos assim, guarde-os em sua memória como se fossem medalhas douradas. E olhe para elas de vez em quando, nos momentos em que estiver duvidando de sua capacidade de enfrentar desafios. Olhe para trás e veja quantos desafios já enfrentou!

E se você estiver em meio a um desafio agora mesmo, mantenha-se centrado, respirando fundo, observando cada passo, conectado e fazendo o seu melhor no momento presente. Com certeza você descobrirá em você capacidades que antes não imaginava possuir. Não caia na armadilha de sentir pena de si mesmo. Continue em frente, mesmo que seus passos sejam lentos.

Dê um passo por vez, um único passo por vez... experimente abrir mão da necessidade de controlar a sua chegada e foque-se no momento único no qual você pode viver. Agora mesmo."

Acredita, olha bem alto que nem criança...


A vida chama-te

Maria José dos Santos Leite*

Amigo conhecido, desconhecido
Peregrino na vida e sua caminhada,
Abre o coração,vem, canta comigo,
Solta tua alegria, vem dar boa risada.

A Vida Chama-te
Vê os pássaros, vivem livres sem drama,
À alvorada dão as mais belas canções,
Cumprem sua função e nenhum reclama.
Na simplicidade do ser exercem suas missões.

A Vida Chama-te
Abra teu coração para a beleza infinita,
E verás como Viver é benção bendita.
Vem amigo voar na dança do Universo,
Dá-me a mão vem voar, eu dou-te este verso.

A vida chama-te
Para voares livre e feliz, olha em frente
O ontem já o foi, agradece-lhe o que passou.
Na tua vida és herói, agora tudo recomeçou,
Vem entrega-te cheio confiança e fé ardente.

A Vida Chama-te
Abre os braços, vem voar docemente,
A Vida acontece num bailado sem fim,
É a dança da Vida que alegremente
Te está a chamar, vem confia em mim.

A vida chama-te
Com toda a sua doçura e cheia de magia,
Amigo vem, dança comigo, usa a confiança,
Solta tua Luz, olha a Vida cheia de poesia,
Acredita, olha bem alto que nem criança

A Vida Chama-te
Tão longa e tão curta esta passagem,
Também é cheia de cor matizada,
Que mais parece uma miragem
Que temos que abraçar a bela mensagem.

A vida chama-te
Liberta-te das amarras do dever ser
Com Amor vem cantar uma nova canção,
Neste abraço universal vem Viver,
Entrega-te à Luz que está em teu coração.

A Vida Chama-te
Para com ardor e alegria viveres,
Vem-lhe agradecer, deixa-te abraçar
Pela Luz, Amor, para a dor venceres
Num imenso abraço fraterno, a Humanidade Amar.

Poema dedicado a todo o Irmão que se sente perdido,
pensando que a vida não tem sentido.
É só deixar acontecer, e com alegria viver.

14 de junho de 2011
MJSL/Porto/Portugal



* Escritora, poeta, PORTUGUESA, de alma e coração bem português! E que ama este lindo jardim, este grande e belo pedaço de terra à beira mar plantado!
Gaia, Porto, Portugal.